quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Sei lá...

“Vida é a soma das nossas escolhas. Seus maiores triunfos virão das coisas que você pensa, diz e faz - não das circunstâncias que a vida lhe apresenta, mas sim como você reage quando as circunstâncias se apresentam.A qualidade da sua vida é um resultado direto das escolhas que você faz. E cada momento na sua vida é uma escolha.O futuro aproxima-se no mesmo ritmo de sempre. Então preste atenção nas suas escolhas e tenha a disciplina necessária para colocá-las em prática, pois são elas que moldarão, ativamente, o resto da sua vida.”

(Raúl Candeloro)

Bem, agente não escolhe os pais que vamos ter (o que já determina boa parte de nossas escolhas), a referência maior de saber o que é certo/errado, ou de apenas lhe dar a segurança necessária para discernir a melhor escolha das demais.

ps: esse texto começou de uma forma pela manhã, foi guardado como rascunho até esse ponto, e mudou pela noite. (esse comentário é superficial, pois se blog fosse secreto ele não estaria aqui mesmo, isso de falar com a incerteza de que se é ou não segredo é um perigo, é como aquela verdade dita como brincadeira para não ferir ou magoar)

Hoje eu estava começando a ler um livro, e me enxerguei diante daquilo. Ou melhor, enxerguei uma possível causa para boa parte do que acontece comigo. Acho que aprendi bem parte da teoria, e o que não sei eu entendo, e o que eu não entendo faço bastante para tentar compreender, quando estrapola a todas as tentativas da compreensão (e acho que isso envolve o teste de toda a teoria) já entra num campo bem menos teórico, que envolve sentimentos que ser humano nenhum consegue lidar de forma consciente. E quando isso acontece, a parte racional, a mesma que faz com que eu me esforce para entender a teoria, me manda abstrair e deletar tudo o que me cause essa confusão mental. Irônico é eu ter lido nesse livro que, só se encontra o amor quando você pára de abstrair toda essa parte "real", e lidar com ela, saber tirar proveito dela e se amar mais por isso, para poder então amar outro ser.

Se amar envolve a possibilidade de compreender tudo isso... e ainda assim se amar mais ainda... e ainda assim saber amar mais ainda... e ainda assim aceitar tudo com a maturidade para enxergar o potencial que se tem de felicidade, mesmo depois de todo aquele aprendizado (complicado e ...); bem, tendo que levar tudo isso em consideração, cheguei a duas conclusões: ou eu sou imatura para poder enxergar tudo como um "aprendizado" e não guardar mágoas, ou eu ainda permaneço no "meio tempo", lidando com "estranhas relações"... e não sabendo enxergar o verdadeiro caminho para o amor... que triste é a cegueira.

Será que isso agora foi escrito porcausa da falta de compreensão?? Ou pela certeza de que me encontro no meio tempo??

(Uma gangorra que é balançada pelo vento, o vento da eterna "falta de probabilidade estatística para uma balança superavitária" da vida:---------)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Curso de Escutatória



Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. . . Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto CaeiroParafraseio o Alberto Caeironte ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todo sem silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.) Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.Eu comecei a ouvir.Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.



RUBEM ALVES




Para um novo mundo ser admitido exige-se um "holocausto" para o antigo. Mesmo que o mundo só exista na mente dos humanos, quem garante que o Universo é tão grande quanto supõe-se??

sábado, 6 de outubro de 2007

Pai


22/04/2007


Aos familiares e amigos,Se eu pudesse resumir o que foi ele para todos nós, em só uma palavra, seria PAI. Mas, em toda a diversidade que isso possa significar. Tanto no companheirismo e cumplicidade calada, quanto em seu olhar meio tímido, que só por estar presente podia-se sentir o quanto era algo sem cobrança, que o prazer de ser pai estava no simples fato de saber que alguém precisava dele, e que sempre continuaremos a precisar, pois, ele se foi, mas deixou aqui todos os seus valores. Era cativante, companheiro, e muitas vezes até ingênuo por confiar demais nas pessoas, tomo isso como bondade, que existia numa pessoa que ainda acreditava em valores raros. Quando algo nos pega de surpresa fica difícil aceitar, a vida sempre está nos ensinando que somos tão frágeis diante do mundo, por isso, o que vale realmente a pena é construirmos algo de bom para aqueles que nos rodeiam, e meu pai foi uma delas.
Uma pessoa que viveu toda a sua infância no interior da Bahia teve que se virar cedo para lidar com o mundo, e trabalhar desde cedo também, ajudando seus pais na roça. Durante a sua juventude, mudou-se para a capital, para estudar, e acabou fixando sua vida aqui, onde se casou e com sua primeira esposa teve duas filhas, Rye e Miwa, separou-se, e casou novamente, de onde nasceram seus dois filhos Hideo e Akira, desde sua segunda separação viveu para cuidar dos filhos, suas filhas vieram do interior para morar com ele. Mesmo nos momentos de dificuldade, quis todos seus quatro filhos perto dele. Apesar de seu silêncio, sempre procurou demonstrar o seu afeto com gestos, muitas vezes, no lugar das palavras.Ontem, no dia 21 de abril de 2007, completaríamos dois anos morando todos juntos, dois anos em que pude conhecer o meu pai, a simplicidade e a bondade que habitavam nele. Além de pai ele também foi um amigo, irmão e filho. E aos que ele deixa aqui, resta a saudade e a missão de orar para que o espírito dele encontre um lugar de paz e bondade.


Dos seus filhos.